Câncer Infantojuvenil

O câncer infantojuvenil é a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Representa 8% do total do total de óbitos. No Brasil, a cada ano, cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são diagnosticados, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Isso representa uma média de 32 casos por dia, e a maioria envolve crianças de quatro a cinco anos de idade. Em 2015, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, número de mortes por câncer infantojuvenil foi de 2.704.

O câncer nessa faixa etária traz bons prognósticos, e os avanços tanto nos diagnósticos como nos tratamentos nas últimas décadas foram muito importantes para isso. Se detectado na fase inicial, as chances de cura da criança ou do adolescente chegam a 80%, principalmente se todo o acompanhamento oncológico ocorrer em centros especializados e com profissionais preparados. Esses dados são mundiais. No Brasil, as taxas de cura alcançam cerca de 65% dos casos.

Quando diagnosticada com câncer, e depois de submetida a todas as possibilidades de tratamento, a criança ainda fica em acompanhamento por cinco anos. nesse período, as chances de reincidência são maiores. E as visitas ao médico devem ser a cada quatro ou seis meses.

Câncer infantojuvenil

Tipos de Câncer

Na verdade, quando falamos em câncer infantojuvenil, nos referimos a um grupo de várias doenças. Em comum, têm a proliferação descontrolada de células anormais em qualquer região do organismo. O mais comum é que as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação sejam afetados pela doença. Portanto, os cânceres mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), tumores que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

Há também o neuroblastoma, que é o tumor de células do sistema nervoso periférico, geralmente localizado na região abdominal. E também o tumor de Wilms (tipo de tumor renal), o osteossarcoma (tumor ósseo) e os sarcomas (tumores de partes moles, o retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), e o tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos).

Dados: Inca e Ministério da Saúde.

Sintomas e Diagnóstico

Talvez a maior dificuldade para o diagnóstico precoce seja a semelhança dos sintomas de um câncer com doenças comuns da idade. Por isso, as queixas de uma criança ou adolescente não devem ser desconsideradas ou vista de forma atenuada.

Sim, geralmente os sintomas são causados por doenças benignas e habituais da infância, mas manter o olhar atento é fundamental. Assim como levar para uma avaliação médica especializada, principalmente se os sintomas durarem mais de 10 dias. Em vários tipos de câncer, o início apresenta sintomas menos intensos.

Até porque, como não existe prevenção para o câncer infantil, o diagnóstico logo no início torna-se uma das principais condições para a cura (ou mesmo a principal). Aqui, hábitos de vida e condições ambientais não representam fatores de risco.

 

É preciso estar atento os seguintes sintomas:

  • febre persistente, sem detecção de um foco infeccioso
  • caroço no pescoço (principalmente) ou em outras regiões do corpo
  • cansaço sem motivo aparente
  • sonolência
  • palidez
  • dores no corpo
  • manchas
  • náuseas e vômitos sem explicação
  • dor de cabeça
  • distensão aguda no abdômen, com presença de massa rígida
Tipos de tumores infantojuvenil

Leucemias: como a medula óssea é praticamente invadida por células anormais, a criança fica mais vulnerável a ter infecções. Também pode apresentar quadros de palidez, dor óssea e sangramentos.

Retinoblastoma: além da fotofobia (maior sensibilidade à luz), a pupila apresenta um embranquecimento quando exposta à luz, conhecido como “reflexo do olho do gato”. Pode ocorrer também estrabismo (olhar vesgo).

Tumor de Wilms: afeta os rins e geralmente causa aumento do volume do abdômen e rigidez.

Tumor de sistema nervoso central: dores de cabeça, a coordenação motora apresenta alterações, paralisia de nervos e vômitos são os sintomas mais comuns.

Somente investigação clínica e exames específicos (como biopsia e ressonância magnética) podem diagnosticar corretamente se há um câncer e em que estágio está.

No caso de tumores sólidos, exames de imagem ajudam na definição do tratamento a seguir e quais procedimentos precisam ser feitos de imediato – se quimioterapia ou retirada do tumor por meio de cirurgia, por exemplo.

Tratamento

Assim que o diagnóstico confirmar um câncer, a criança deve seguir para um centro especializado. Isso é imprescindível, porque crianças reagem ao tratamento de forma diferente que o adulto. Os efeitos colaterais precisam receber cuidados bastante específicos. Daí, o envolvimento de equipe multidisciplinar, que é indispensável (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos).

O tratamento consiste em três modalidades principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia. O tratamento é traçado de acordo com as características biológicas do tumor, sua extensão e estágio, além da possível existência de outra patologia.

Acompanhamento câncer infantojuvenil

Acompanhamento

É importantíssimo que a criança ou adolescente continue o acompanhamento com a equipe médica. E pelo maior tempo possível, possibilitando reconhecer de forma precoce qualquer complicação e, consequentemente, permitindo atuação imediata diante de qualquer problema.